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Arte e solidariedade ajudam a sustentar santuário que acolhe centenas de animais em Cotia

Em uma propriedade rural de Cotia, na Grande São Paulo, a produção artística se transformou em uma das principais formas de sustento de um projeto que abriga mais de 350 animais. No Santuário Animal Sente, pinturas, esculturas, bordados, fotografias, livros e produtos artesanais são comercializados para ajudar a custear alimentação, tratamentos veterinários, manutenção das estruturas e outras despesas.

A iniciativa é coordenada por Nana Índigo, fundadora do santuário, que também é escritora, compositora e contadora de histórias. Ao lado de outros artistas que vivem ou atuam no espaço, ela mantém o Ateliê Animal Sente, criado com a proposta de unir produção artística e proteção animal.

Segundo Nana, os recursos obtidos com a venda dos trabalhos representam uma parcela fundamental do orçamento necessário para manter o santuário em funcionamento.

“A maioria imensa dos recursos que nós precisamos para manter o santuário, os animais alimentados, abrigados, cuidados do ponto de vista veterinário, vem da produção do nosso trabalho.”

Um ateliê que também defende a causa animal

Além de gerar recursos, o trabalho artístico desenvolvido no local tem uma função de conscientização. A produção do ateliê aborda temas relacionados à proteção dos animais, dignidade, direitos e outras questões sociais.

Para Nana, a arte permite levar essas discussões para além do ambiente do santuário.

“Através da arte que nós produzimos, nós também fazemos ativismo, conscientizamos pessoas da importância das causas pelas quais lutamos.”

A variedade de produtos acompanha os diferentes talentos reunidos no projeto. Entre as atividades estão pintura em tela e madeira, aquarela, bordado, arte têxtil, cartonagem, marcenaria, escultura, fotografia, alta bonecaria, além da produção de velas aromáticas, cosméticos, itens de saboaria, miniaturas e presentes.

O ateliê também desenvolve trabalhos personalizados. Pinturas, painéis e outras peças podem ser produzidos de acordo com projetos apresentados pelos clientes, inclusive para residências, quartos, escritórios e estabelecimentos comerciais.

Artistas produzem e ajudam a contar a história do santuário

Entre os colaboradores está Evandro Maciel, fotógrafo profissional que registra animais resgatados, acontecimentos e o cotidiano do santuário. Ele também realiza ensaios fotográficos para visitantes e outras pessoas interessadas em registrar momentos no espaço.

A literatura também faz parte de sua trajetória. Evandro já publicou três livros e trabalha atualmente em uma nova obra de poesias.

Naropa, filho de Nana, atua como desenhista, ilustrador e tatuador, acrescentando outras formas de expressão ao conjunto de trabalhos desenvolvidos pelo ateliê.

Nana também mantém sua própria produção. Autora de três livros, ela disponibiliza no ateliê o CD “Animal Sente”, composto por músicas de sua autoria. O espaço ainda pode receber apresentações, palestras, esquetes e atividades relacionadas ao teatro.

Compras podem apoiar diretamente o trabalho

As peças produzidas pelo Ateliê Animal Sente podem ser adquiridas por pessoas de diferentes regiões do Brasil. Os produtos são enviados pelos Correios, e os interessados também podem entrar em contato pelo WhatsApp para conhecer as opções disponíveis.

Existe ainda a possibilidade de solicitar trabalhos personalizados. O comprador apresenta a ideia e, dependendo do projeto, a peça pode ser desenvolvida especialmente para aquela pessoa.

O ateliê também já realizou envios internacionais, embora Nana ressalte que os custos e as dificuldades relacionados ao transporte para outros países aumentaram.

Para quem deseja ajudar o santuário, mas não consegue realizar uma doação direta, a compra de uma peça representa outra forma de contribuir. O valor que seria destinado à aquisição de um presente ou objeto pessoal pode, nesse caso, retornar ao projeto e ajudar a financiar as necessidades dos animais.

Materiais também podem ser doados

Outra maneira de colaborar é através da doação de materiais que ainda estejam em condições de utilização.

O ateliê aproveita diferentes tipos de produtos, como tintas, pincéis, papéis para aquarela, tecidos, linhas, agulhas, tesouras, réguas, ferramentas de marcenaria, máquinas e equipamentos.

Materiais utilizados na produção de velas e cosméticos, como vidrarias, bases e essências, também podem ter utilidade no espaço.

A proposta é aproveitar recursos que poderiam permanecer sem uso ou acabar descartados, transformando-os em novos produtos e, posteriormente, em recursos destinados à manutenção do santuário.

“Tudo vira lucro para comprar a ração dos animais.”

Centenas de animais dependem do funcionamento do espaço

O Santuário Animal Sente atualmente abriga mais de 350 animais, número que, em determinados períodos, pode se aproximar de 400.

Manter uma população desse tamanho exige uma estrutura permanente. Além da alimentação diária, existem despesas com medicamentos, consultas, tratamentos veterinários e procedimentos cirúrgicos.

Quando necessário, os animais são encaminhados para clínicas veterinárias, aumentando os custos de manutenção.

As próprias instalações também precisam de atenção constante. Abrigos e outras estruturas precisam ser reparados ou reconstruídos quando sofrem danos.

Segundo Nana, no início do ano um ciclone derrubou várias estruturas do santuário, exigindo novos trabalhos de reconstrução, alguns dos quais ainda estão em andamento.

“Tudo que a gente ganha aqui é muito importante e são muitos animais dependendo desse trabalho.”

Uma produção que acompanha a rotina dos animais

A relação entre arte e manutenção do santuário começou praticamente junto com o próprio projeto. Nana e seu filho já trabalhavam com atividades artísticas antes da criação do espaço e passaram a direcionar parte dessa produção para ajudar na manutenção dos animais.

O ateliê, portanto, não funciona apenas como uma loja de produtos artesanais. Sua produção está integrada à rotina do santuário e às necessidades de centenas de animais.

E essa rotina não acompanha feriados ou períodos de descanso convencionais. Alimentação, limpeza, cuidados e demais tarefas continuam durante fins de semana, feriados, férias e datas comemorativas.

Para Nana, a produção artística precisa acompanhar essa mesma realidade.

“Não conhece finais de semana, não conhece feriado, não conhece festas, fim de ano ou férias.”

A continuidade do trabalho está diretamente relacionada à manutenção do espaço e aos cuidados oferecidos aos animais.

“Não pode cessar, porque depende deste trabalho a vida de inúmeros seres inocentes que esperam por nós.”

No Santuário Animal Sente, a produção artística acabou assumindo um papel que ultrapassa a criação de objetos e obras. Pinturas, fotografias, esculturas, bordados, livros e produtos artesanais podem contribuir para comprar alimento, pagar tratamentos, reparar instalações e manter em funcionamento um espaço dedicado ao acolhimento de animais.

Instagram do Ateliê Animal Sente: @atelieanimalsente